Educação
A “senhora educação” do Brasil *

Madalena Queirós

A sua vida é andar por esse imenso Brasil à procura de investimentos para os projectos educativos de combate à exclusão. Maria do Carmo Brant de Carvalho, professora catedrática na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC - SP) coordena há quatro anos o Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Acção Comunitária (CENPEC).

 

Profa. Doutora Mª do Carmo Brant

 

Uma Organização não Governamental (ONG) que "pensa projectos de política pública para reduzir a desigualdade e a pobreza". Projectos de desenvolvimento social, financiados por empresas, como o banco Itaú, Telefónica entre outras.

É assistente social, doutorada em Serviço Social e tem pós-doutoramento em Ciência Política realizado em França. O que lhe permitiu pensar "o desafio social como intervenção social que tem que ser transdisciplinar e multisectorial".

Vive a mil à hora e fala com um entusiasmo contagiante de todos os seus projectos. Dedicou toda a sua vida a programas de "enfrentamento da pobreza e desigualdade no Brasil". Começou nos anos setenta, como dirigente estudantil, passando a assistente social e professora universitária "em pleno regime ditatorial" o que acabou por se transformar "numa imensa oportunidade pelo facto do país viver um período de crescimento económico. Apesar da privação da liberdade". "O Governo tentava compensar isso com mais recursos para que os técnicos realizassem programas de combate à pobreza", afirma.

São Paulo era nessa época "uma mar de favelas" que convivia em "regime de 'apartheid' social com uma mar de riqueza". Na altura "vivia" nesses anos na favela "trabalhando em projectos de urbanização, levando a esses bairros água, electricidade e saneamento básico".

Já em democracia, no tempo do presidente Itamar franco, foi membro do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, organismo que tinha como grande objectivo combater o insucesso escolar e o trabalho infantil.

Também foi conselheira do programa "Comunidade Solidária", lançado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, que integrava cerca de 20 pessoas da área social e empresarial. Um mecanismo que acabou por ser o embrião "do que hoje o presidente Lula chama de Conselho de Desenvolvimento Económico e Social"
Uma académica que é também "apaixonada por Portugal", Regularmente atravessa o Atlântico para dar aulas no Mestrado e Doutoramento no âmbito do Convénio PUC-SP/ Instituto Superior de Serviço Social de Lisboa (ISSSL).

Com quatro filhos e uma intensa vida académica e profissional, tem uma actividade diária que cumpre religiosamente: ao início da manhã caminha durante vinte minutos. Considera-se uma "workaholic" e "apaixonada pelo trabalho público". A universidade e a actividade profissional acabam por complementar-se.

Quanto ao futuro? "Há um movimento de esperança no presidente Lula, que o Brasil não vivia há muito tempo", responde.

"Um momento rico de definição clara de estratégias para dar o salto económico e social" necessário. "O Brasil está avançando muito com o presidente Lula", acrescenta. Os programas de "renda mínima", as políticas de micro-crédito que permitem à população brasileira aceder ao crédito com juros baixos para "pagar dívidas que a está sufocando no seu quotidiano", são alguns dos exemplos que mostram que o Brasil está no bom caminho.

mqueiros@economica.iol.pt

* Publicado no Diário Económico a 08.07.2003 - Brasil