Uma Teoria da Acção:

Entre as estruturas e as interacções está o sentido e a razão.

 

 

 

Luísa Pires

 

 

ÍNDICE

Prefácio

Introdução

 

1. Da questão teórica da racionalidade: conceitos fundamentais na teoria da acção.

 

2. Da questão metodológica da racionalidade: as possibilidades da compreensão dos princípios de racionalização da acção

 

3. Da questão empírica: o sentido, as orientações, os propósitos e a linguagem da acção.


Conclusão.


Bibliografia

 

 

 

 

Resumo/Prefácio

 

Este trabalho surge no âmbito do curso de mestrado em serviço social e politica social, perante a necessidade de construção do modelo teórico- metodológico de pesquisa a implementar, no sentido da compreensão dos princípios de racionalização da acção profissional de assistentes sociais da saude.

Partimos de uma perspectiva construtivista da acção e da pesquisa, tentando aqui articular dimensões mais históricas e estruturais relativas aos agentes colectivos e aos contextos de situação da sua acção e, outras dimensões mais ligadas ás interacções quotidianas dos agentes nas suas relações de face-a-face, procuramos abordar aspectos relacionados com a questão teórica da acção, com a questão metodológica da racionalidade e com a questão empírico-teórica do sentido.

Sem ousar discutir os diversos contributos argumentativos dos autores em referência, no sentido da sua coerência interna a nível teórico, metodológico e até empírico, pretendemos no entanto e tão só, sistematizar aqui algumas das categorias (que, na opinião de Habermas, são lugares comuns), as quais nos têm sido legadas pelos diversos pensadores clássicos e outros mais recentes, na tentativa de organizar um corpo teórico-metodológico coerênte e capaz de nos possibilitar a abordagem empírica da compreensão dos princípios de racionalização de qualquer acção profissional (neste caso, da acção profissional de assistentes sociais da saúde), nomeadamente, a compreensão das relações de sentido construidas, pelos agentes profissionais no decurso da sua acção histórica e quotidiana, situados, por sua vez, em determinado campo ou contexto histórico, social, teórico e político (neste caso, no campo da saúde).

 

 

INTRODUÇÃO

 

A Teoria da Acção, pretendendo ser uma teoria da sociedade, tem sido classicamente desenvolvida em torno da problematica da racionalidade; sendo certo que, esta problematica tem sido, desde Weber, largamente refutada, especificamente quando se trata da racionalidade social.A teoria da acção tem sido conotada de actividade racional e associada á utilização da metodologia da compreensão do sentido, entrelaçada com as questões problematicas da significação e da validade.

Louis Quéré questiona-se quanto á possibilidade de dar conta das acções humanas no campo da análise critica, ou seja, "quanto ás propriedades do domínio onde ela é desencadeada: domínio da contingencia e da realização prática; ou ainda, como captar o seu caracter intencional ? Como explicar o caracter regular, concordante e estandardizado das condutas e das praticas sociais ? Como é possível uma ordem social numa colectividade cujos membros são supostos seguir em primeiro lugar e antes de tudo, os seus interesses individuais? Como é possível a cooperação social entre agentes tendo cada um o seu ponto de vista e apreendendo as coisas e, em particular a sua situação da acção, pela sua perspectiva singular ?" (Quéré,L.,1993:12)

 

A racionalidade das opiniões e das acções é um tema sobre o qual tem tradicionalmente trabalhado a filosofia, tratando de forma reflexiva a razão incorporada no conhecimento, na palavra e na acção.

Por um lado, o desenvolvimento das ciencias sociais, nomeadamente a sociologia nascida com o capitalismo como teoria da sociedade burguesa, por outro lado, a necessidade desta disciplina construir uma teoria capaz de permitir abordar a acção humana,as relações que são produzidas no decurso das práticas concretas e, as suas consequencias para a sociedade, constituiram, de alguma forma, as condições de emergencia e de argumentação de uma teoría da acção.

Na perspectiva de Habermas, a teoria da acção, nomeadamente a sua teoria da acção comunicacional, ao pretender ser uma teoria da sociedade, não pode evitar o conceito de racionalidade cujo conteúdo nos coloca três questões inadiaveis:

-"A questão metateórica da racionalidade", levando os teoricos da acção a seleccionar conceitos fundamentais que consideram ajustados ao fenomeno da racionalidade crescente do «mundo vivido moderno».

- "A questão metodologica da racionalidade", implicando admitir no seu dominio do objecto a compreensão do sentido, onde a compreensão das orientações racionais da acção surge como horizonte de referencia para a compreensão de todas as orientações da acção.

- "A questão empirico-teorica do sentido", cuja interrogação que tem sido colocada é a de saber se e, em que sentido as relações que caracterizam a modernização de uma sociedade podem ser descritas do ponto de vista da racionalização cultural e social.(Habermas,1987:14-22)

É este o desafio que nos propusemos assumir e, de alguma forma, sistematizar neste texto.